A chegada ao mercado farmacêutico de potentes antiretrovirais para compor o coquetel usado por pacientes com HIV é a grande expectativa de pesquisadores para o próximo ano. As novas drogas estão em fase final de teste e prometem grande eficácia na redução da carga viral e na prevenção de infecções nos portadores da doença.
As novas perspectivas para o tratamento da Aids foram discutidas ontem durante sessão científica realizada na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-Bahia), pelo imunologista e pesquisador do Disconsin National Primate Research Center (WNPRC), nos Estados Unidos, David Watkins. Apesar da boa notícia, as drogas podem demorar mais tempo para chegar ao Brasil. Isso porque, a liberação depende de negociação com o governo brasileiro e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Outra grande promessa para os próximos anos gira em torno das pesquisas de novas drogas capazes de agir como imunizadores do organismo. “Estas drogas ainda estão em fase inicial de teste e são uma grande promessa de bloqueio do vírus”, ressalta o pesquisador, que também é professor do Department os Pathology and Laboratory Medicine Unibversity of Winconsin.
A descoberta de uma vacina, no entanto, ainda deve percorrer um caminho mais longo. O especialista explica que depois da suspensão dos testes da vacina experimental do laboratório Merck, em setembro deste ano, os estudos estão sendo redefinidos. A vacina – uma das mais promissoras na luta contra o HIV – vinha sendo estudada há dez anos e envolvia cerca de três mil voluntários em diversos países.
“Foi uma grande frustração para os cientistas. Estamos muito desapontados. Tínhamos a expectativa de colocar a droga no mercado dentro de quatro anos. A estimativa agora é para os próximos dez anos”, salienta. Apesar do resultado frustrante, Watkins reforça que a busca por uma vacina contra o HIV continua sendo prioridade.
Uma nova vacina, com os mesmos princípios da pesquisada pelo laboratório Merck, está em fase de estudos pelo Instituto Nacionai de Saúde (NIH) dos Estados Unidos. Na próxima semana, novos resultados devem ser divulgados, mas, o imunologista adianta que há poucas expectativas.
“Esse ainda é um grande desafio para os cientistas. O que podemos reforçar é a importância da prevenção. Todos os esforços estão sendo feitos para a descoberta, mas a prevenção continua sendo muito importante”, reforçou o pesquisador da Fiocruz, Bernardo Galvão. Segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), de 1984 até novembro deste ano, já foram registrados 8.330 casos da doença em toda Bahia. A faixa etária mais acometida está entre os 40 e 45 anos, em ambos os sexos. Ainda segundo dados do órgão, o número de portadores do sexo feminino vem aumentando nos últimos anos. Hoje, a proporção de infectados é de uma mulher para cada homem.
Fonte: Aqui Salvador
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